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No quarto

  • edneifloriano
  • há 2 dias
  • 1 min de leitura

Uma batalha sem inimigos. Enquanto o buraco da agulha parecia esquivar-se em todas as direções, evitando a linha, a ponta do fio seguia determinada, um tanto desfiada em suas mãos trêmulas e persistentes.


- Não consigo passar. Nem enxergo o buraco direito.


Prontamente, o solene pedido não feito de ajuda foi atendido.


- Quer que eu faça? Deixa eu ver.


Sob o olhar cansado de sua plateia mais frágil, ele molhou a linha com a boca e ajustou o foco, começando a lenta aproximação entre as partes.


Já irritado ao errar o alvo pela décima vez, pensou sobre a utilidade daquilo. "O que ela vai costurar, se não tá aguentando nem o peso da agulha?".


- Deixa, amanhã eu vejo isso.


Instantaneamente arrependido, redobrou os esforços e voltou à tarefa, com muito mais afinco. Sabia que o motivo daquilo não importava. Ele faria qualquer coisa para deixá-la bem e ela só queria sentir que voltaria a costurar um dia.


- Não! Agora é questão de honra!


Minutos, dedos e olhos doloridos depois, a linha finalmente desfilava pelo buraco da agulha. Em um sutil ritual de oferenda, abriu a palma da mão e estendeu o objeto a ela com orgulho.


- Ah! Obrigado, meu filho! Te amo!


Satisfeita, colocou tudo cuidadosamente no guarda-roupas, fechou as portas e se foi, dando por encerrada a sua última luta.


 
 

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