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Depois do fim

  • edneifloriano
  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

Atualizado: há 2 dias

Quando tudo acabou, a esperança deu lugar à melancolia. Presa na

garganta, a emoção virou silêncio, ofuscando aqueles olhares, até então,

vibrantes e esperançosos. Depois disso, naquela noite fria, o mesmo abraço

que celebrava, passou a ser o que consolava, impedindo gestos impulsivos e

até mesmo vergonhosos diante da situação.


Ainda sem forças para incluir as palavras no contexto, caminharam lado

a lado, passando pelas barracas que decoravam as calçadas. Como numa

cantina de escola infantil, viram esses pequenos quadrados de metal

transformarem-se rapidamente em pontos de encontros, onde alguns pareciam

descontar no vidro de molho todas as frustrações da vida.


Dois mil, setecentos e oitenta e três passos, vinte e dois minutos, cinco

viaturas e nenhum gesto de reconciliação com o fato depois, chegaram à

estação de metrô. Diante das portas abarrotadas de gente, seguiram

passivamente a multidão e foram levados pela correnteza humana que se

afunilava nas catracas. Apertados com a massa nas escadas e corredores,

aguardaram ansiosos, enquanto a próxima composição se aproximava.


Mais vinte e sete voltas no ponteiro e finalmente o balanço do trem

lotado a caminho de casa. Olhando as paredes do túnel - paisagem coerente

com o momento – permaneceram próximos e em pé durante toda a viagem. Se

antes, o desencanto impedia a voz, agora, falar era uma tarefa cada vez menos

necessária.


Cansados e igualmente desolados, desceram na próxima estação e

subiram lentamente pela escada rolante. No percurso, olharam-se com uma

estranha e mútua sensação de resiliência, como se uma nova esperança

pudesse nascer daquilo tudo.


Somente alguns minutos depois, já na rua, perceberam que estavam

diante dos seus últimos instantes juntos. Tomados pela empatia da

constatação, pararam frente a frente e formalizaram a despedida com um

aperto firme de mãos, ainda sem nada a dizer.


Quando finalmente se afastaram, o eco de uma voz quebrou o protocolo:

- No próximo cê vai, né?

- Quem consegue largar esse time maldito?

 
 

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